por "partido blog":
Adam Smith é considerado pela maioria como pai da economia, sendo um divisor de águas entre a economia política existente e uma economia que tem corpo próprio, que atingirá a maturidade em Ricardo. O surgimento da economia como disciplina isolada não apenas coincide com o surgimento do capitalismo, mas prescinde dele. Só pode existir na verificação de uma economia de mercado, que é por definição - 1) um sistema auto-regulável onde os preços de mercado são o único sinal necessário para seu funcionamento e 2) todas as rendas derivam de alguma venda. Assim, embora as sociedades com mercado sempre terem existido, as sociedades de mercado são um produto histórico oriundo do desenvolvimento do capitalismo nos séculos XVIII e XIX.
“(...) todos os sistemas econômicos conhecidos por nós, até o fim do feudalismo na Europa Ocidental, foram organizados segundo os princípios de reciprocidade ou redistribuição, ou domesticidade, ou alguma combinação dos três (...) Os costumes e a lei, a magia, e a religião cooperavam para induzir o indivíduo a cumprir as regras do comportamento” (Polanyi, A grande transformação, pág. 75). Uma das principais características que diferenciam a "Riqueza da Nações" de Adam Smith, é a inserção do método Newtoniano na análise de uma ciência social. Subjacente a esta possibilidade (utilizar o ferramental desenvolvido pela mecânica clássica) está a percepção do indivíduo como um integrante da natureza. Na visão medieval havia um total distanciamento entre homem e mundo físico. Não seríamos jamais a evolução do macaco, mas seres divinamente diferenciados. Com a evolução da ciência (vale destacar Darwin) matura-se a idéia de que as leis que valem para a natureza podem também valer para os homens. Nesse ínterim, o método Newtoniano de análise, modelação, só é válido quando se admite que as motivações do homem não são ditadas por uma força exterior, transcendental, mas que há uma complexa relação de causa e consequência com o meio que o cerca.
Postado por Thiago
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Crowding out
Retirado na íntegra do blog "Ponto de polônio": www.partidoblog.blogspot.com
O primeiro a descrever o crowding out foi Titmus (1970) ao perceber que o número de ingleses dispostos a doar sangue diminuiu substancialmente quando foi instituída uma política de pagar aos doadores. Parece que em alguns casos o número de agentes que respondem ao incentivo pode ser menor que o número daqueles que se sentem desencorajados em função do mesmo.
Muitos argumentam que o fenômeno contradiz a teoria economica mainstream, e seu típico indíviduo auto-interessado, maximizador de utilidade. Mas não vejo assim. A teoria não especifica o que são incentivos, isto é, não diz que o homem só responde ao dinheiro e nada mais. Para elucidar meu argumento trarei um exemplo: doação de dinheiro. O fato dos ricos doarem aos pobres também contradiz a teoria mainstream ? Claro que não. O que acontece é que o auto-interesse pode assumir diversas formas, para os religiosos a doação pode estar fundamentada na crença de uma recompensa espiritual (pós-vida ou não). Mesmo para os céticos poderia se argumentar que é uma questão de ego, sentir-se bem consigo mesmo. No caso do crowding out segue o mesmo raciocínio. Os agentes respondem aos incentivos, mas para algumas atividades (voluntárias principalmente) é possível que o dinheiro não seja visto como um incentivo. O agente que tinha a intenção de se voluntariar e ser recompensado espiritualmente ou psicologicamente entende que se receber dinheiro para fazer aquilo não estará atingindo aquilo que buscava, e assim prefere não o fazer.
Postado por Thiago
O primeiro a descrever o crowding out foi Titmus (1970) ao perceber que o número de ingleses dispostos a doar sangue diminuiu substancialmente quando foi instituída uma política de pagar aos doadores. Parece que em alguns casos o número de agentes que respondem ao incentivo pode ser menor que o número daqueles que se sentem desencorajados em função do mesmo.
Muitos argumentam que o fenômeno contradiz a teoria economica mainstream, e seu típico indíviduo auto-interessado, maximizador de utilidade. Mas não vejo assim. A teoria não especifica o que são incentivos, isto é, não diz que o homem só responde ao dinheiro e nada mais. Para elucidar meu argumento trarei um exemplo: doação de dinheiro. O fato dos ricos doarem aos pobres também contradiz a teoria mainstream ? Claro que não. O que acontece é que o auto-interesse pode assumir diversas formas, para os religiosos a doação pode estar fundamentada na crença de uma recompensa espiritual (pós-vida ou não). Mesmo para os céticos poderia se argumentar que é uma questão de ego, sentir-se bem consigo mesmo. No caso do crowding out segue o mesmo raciocínio. Os agentes respondem aos incentivos, mas para algumas atividades (voluntárias principalmente) é possível que o dinheiro não seja visto como um incentivo. O agente que tinha a intenção de se voluntariar e ser recompensado espiritualmente ou psicologicamente entende que se receber dinheiro para fazer aquilo não estará atingindo aquilo que buscava, e assim prefere não o fazer.
Postado por Thiago
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